quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Palavras que sou?!

Acho importante dizer um pouco sobre o título do blog. Comecei a escrever o primeiro texto, antes de pensar em um bom nome, algo que fosse capaz de resumir o meu objetivo em começar a escrevê-lo. Enquanto eu escrevia, me lembrei algo que rascunhei no primeiro semestre do ano passado. 

Sempre escrevi muito, mas nunca em forma de poema, e das poucas coisas que eu escrevi, nunca fui de divulgar. Mas, o poema que inspirou esse nome diz muito sobre mim, e sobre o que quero fazer aqui. Achei o nome uma ótima escolha, três palavras que juntas, dizem muito sobre mim.

Sempre vivi cercada por elas, sempre gostei muito de ler, escrever, conversar.  Não a toa, escolhi duas profissões que dependem delas: sou intérprete de LIBRAS-Português (sinais e palavras aí colocadas no mesmo lugar de tentar colocar pra fora algo que está dentro), e uma quase Psicóloga, outra profissão que precisa das palavras para existir. 

Essa ideia de ser feita por palavras, surgiu a partir de duas fontes de inspiração:
- Donna Haraway, referência do feminismo contemporâneo, em um dos seus mais importantes textos, se pergunta: "Com o sangue de quem foram feitos meus olhos". Frase que pode ser interpretada de várias formas, e que me marcou desde a primeira vez que li.
 - Sandra Azerêdo, professora feminista que me apresentou Donna Haraway, que em suas aulas sobre o estruturalismo e o pós-estruturalismo cita alguém (não me lembro quem) que diz que "o 'discurso' corre em nossas veias". 

A partir dessas inspirações, em um dia difícil acabei escrevendo algo, e não imaginei que seria inspiração para o título do meu novo blog:




PALAVRAS

Palavras falam muito sobre mim, 
ou será que eu falo muito das palavras?!

Elas me ajudam a entender o mundo, 
ou será que o mundo me ajuda a as entender?!

E os meus sentimentos? 
Aparecem por causa das palavras, 
com as palavras, ou elas saem deles?

Meu corpo é constituído por elas?
Elas correm nas minhas veias, 
ou o meu sangue as formam?

Minha vida é feita pelas palavras,
 ou as minhas palavras são feitas de vida?                                      
                                       Da minha vida?!

Eu inspiro palavras?!
Expiro palavras?!

Quais são as palavras que consigo digerir, e quais vomito?

Eu falo, entendo, sinto, me constituo, 
SOU PALAVRAS. 
Apenas algumas delas, mas são sempre elas. 

E ainda assim eu não sou isso.
Não só isso!!!

Sou mais. 
Um mais que não tem palavras, 
mas um mais que se coloca com intensidade. 
Intensidade suficiente para até me fazer duvidar dessas palavras
que eu sou
que sou eu. 

O início do "Palavras que sou"



Depois de três anos da minha primeira experiência como blogueira, resolvi que quero voltar a escrever um blog. O desejo veio nesse último fim de ano, junto a desejos de fazer uma tatuagem, de escrever na parede do meu quarto, e de postar no meu facebook recém desativado. Antes fazer algumas dessas coisas, de forma precipitada, pensei que esse poderia ser um bom momento para eu voltar a escrever para postar em um blog meu.

Minha cabeça não para de funcionar, e como tudo na vida isso pode ser bom e ruim. Escrever aqui é a tentativa de fazer que essa agitação mental que tenho produza frutos potencialmente positivos para mim, e para quem quiser vir aqui ler o que tenho pensado e escrito.

Em 2010 escrevia um blog, o "Sobre as mulheres de Atenas". Foi uma experiência muito importante para a minha vida. Naquela época estava descobrindo o feminismo, e foi muito bom poder elaborar textos sobre os temas que dominavam meus pensamentos naquele momento. Espero que "Palavras que sou" passe a existir, como o "Mulheres de Atenas" existiu pra mim, um lugar onde posso elaborar meus pensamentos e sentimentos, desabafar, e escrever. Usar as palavras que me são tão caras.

O objetivo é que esse seja um lugar onde eu escreva sobre tudo e qualquer coisa, mesmo que seja sobre o nada. É impossível eu fugir de alguns assuntos (e definitivamente não quero fugir deles), já que eles me fundam como pessoa e como observadora desse mundo que está aí. Desigualdades de oportunidades e preconceitos me tiram do sério, e com certeza isso aparecerá por aqui, talvez em cada uma das linhas que eu escrever. Não apenas acredito que é possível haver um mundo melhor, como preciso acreditar e lutar por isso, para que eu consiga viver mais um dia, mais um mês e mais um ano.
Uso as palavras de John Lennon para terminar esse post introdutório -

“You may say I'm a dreamer
 But I'm not the only one
 I hope someday You'll join us
And the world will be as one”

(!!!)