sexta-feira, 14 de junho de 2013

Em busca da Verdade Revolucionária de cada dia...

"Como reconhecer este trabalho da verdade? É simples, tem um traço infalível: está havendo verdade revolucionária, quando as coisas não te enchem o saco, quando você fica a fim de participar, quando você não tem medo, quando você recupera sua força, quando você se sente disposto a ir fundo, aconteça o que acontecer, correndo até o risco de morte."
Guattari - Revolução Molecular - 1973

domingo, 2 de junho de 2013

Privilégios

PRIVILÉGIOs - substantivo masculino.
Algo com que nascemos (ou não) que dita a forma como viveremos todas as nossas experiências no mundo. Na maioria das vezes não temos consciência de nossos privilégios, e mesmo quando se tem alguma consciência, eles aparecem no momento em que estamos mais distraídos, fazendo nossas atividades cotidianas da forma mais "normal" que conhecemos. Ele surge diante de qualquer atividade que façamos, é onipresente e onipotente, mas silencioso e cruel. Em cada respiração de nossas vidas, eles estão lá: o privilégio de uma nacionalidade, o privilégio de uma raça, o privilégio de uma classe social, o privilégio de uma condição física, o privilégio de uma orientação sexual, o privilégio de um desejo que vai ao encontro do desejo que esperam (quem espera?!) que tenhamos. 

domingo, 17 de março de 2013

Especial 8 de março de 2013 - parte 3


E o 8 de Março ainda não terminou...pelo menos para mim.


Na última das minhas habituais visitas ao site www.blogueirasfeministas.com, ganhei mais um presente em forma de texto.
Um texto que problematizava o que eu senti diversas vezes enquanto caminhava na Av Afonso Pena ontem...
Diversos grupos de mulheres organizadas estavam lá, lutando por seus direitos. Mas confesso que senti falta de um Grupo de Mulheres Surdas Organizadas, para ajudar a engrossar aquela bela caminhada.
Serão extremamente bem vindas na nossa caminhada do ano que vem (nossa, digo de todas nós, mulheres e homens que acreditam que pode haver menos violência e mais direitos para as mulheres . 
O 8 de março também é para vocês, Mulheres Surdas que tanto me orgulham! Essa luta é de todas nós, só precisamos nos organizar para juntarmos forças!

Sinceramente acho que essa é uma importante ramificação para o Movimento Surdo. 
Quem sabe, um dia não teremos um Feminismo Surdo, que luta pelos direitos das Mulheres Surdas, e de todas as mulheres e surdos desse país...
Seria muito bom para o Movimento Surdo, e para o Feminismo, não tenho dúvidas!

Se acharem ser um tema importante de ser discutido, estarei SEMPRE disposta a apoiar. Até porque, são as grandes lutas da minha vida. Nada mais agradável do que juntá-las!!!

Coloco aqui o link do post no Blogueiras Feministas. Me arrepiei enquanto lia sobre as mulheres surdas nesse importante site feminista no Brasil. 


Como escrevi no meu comentário no texto:
AVANTE MOVIMENTO SURDO!
AVANTE MULHERES SURDAS!
AVANTE FEMINISMO SURDO!!!

Especial 8 de março de 2013 - parte 2


Tô emocionada e empolgada demais pra escrever agora sobre o dia de hoje...

Se vou escrever sobre o dia de hoje? Claro que vou! Queria escrever um livro, aproveitando todas essas coisas boas que eu to sentindo agora. Por enquanto, me basta dizer que o dia foi um dos mais emocionantes da minha vida. Todas aquelas pessoas marchando, cantando, protestando genuinamente por menos violência contra as mulheres, por mais respeito, mais vida.... conseguiram fazer com que eu me sentisse menos violentada, mais respeitada e mais viva. O desejo é que todas as mulheres se sintam assim, e que a gente se sinta assim, por estarmos jutas, lutando por justiça social para todas as pessoas que são violentadas por fazerem parte de um grupo considerado minoritário. Hoje agradeço por estar viva, por ser mulher e por ser feminista! Queria poder fazer esse agradecimento todos os dias. E esse dia chegará!

Especial 8 de março de 2013 - parte 1


Hoje é o dia da mulher. No meio social em que vivo, muitas pessoas se mobilizam para esse dia. Elas debatem o assunto, se organizam para ir às ruas, se revoltam e indignam com diversos fatos do cotidiano ligados ao tema. 

Hoje é também o dia seguinte da votação para o presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara. Foi eleito um pastor que fez declarações “pouco amigáveis” sobre diversos grupos minoritários. 
E hoje é também o dia seguinte do julgamento do famoso “Goleiro Bruno” um caso de violência contra a mulher que foi repetidamente exposto na mídia, já que terminou em um assassinato considerado bárbaro pela maioria das pessoas, feito pelas “mãos” de quem deveria entreter uma torcida de futebol. A grande mídia não fala, mas sabemos que esse é só um caso, e que o assassinato de mulheres, principalmente feito por companheiros ou ex-companheiros cresce a cada dia. 

Diante de um dia tão importante, começo a refletir... 
Primeiro me lembro de todas as vezes que alguém chegou perto de mim para falar que a luta das mulheres é algo ultrapassado, e que as mulheres já conseguiram tudo que precisavam...
Depois fico pensando nessas pessoas que conheço pessoalmente ou virtualmente que dedicam suas vidas para lutar por uma melhora na qualidade de vida das mulheres e outras “minorias”, e como a eleição desse senhor é um insulto ao trabalho de tanta gente. Fico pensando como mais uma vez fica parecendo que estão fazendo piada com um assunto sério, que é foco de dedicação de tanta gente séria, e que está diretamente ligado à vida de tantas pessoas. 
E fico pensando sobre toda essa violência sofrida pelas mulheres. Principalmente as mulheres negras, pobres, as homossexuais, as prostitutas... infelizmente temos muitas categorias para colocar aqui, e cada vez a situação de violência fica mais extrema e mais grave. 
São muitos os pensamentos, são muitas as angustias, são muitas as rasteiras... Mas estando em contato com essas pessoas sérias que trabalham todos os dias para essa situação melhorar, tenho aprendido que quem entra nessa luta não desiste fácil. Confesso que às vezes me impressiono com a garra dessas pessoas que no mesmo dia dessa eleição para a Comissão de Direitos Humanos se nega a ficar de luto, e se veste para a luta. Uma luta que às vezes me parece eterna, mas que me emociona quando leio a programação para o dia de hoje em Belo Horizonte. Tem muita gente nessa luta, e não há espaço para outras pessoas ditarem sobre o que precisamos lutar.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Palavras que sou?!

Acho importante dizer um pouco sobre o título do blog. Comecei a escrever o primeiro texto, antes de pensar em um bom nome, algo que fosse capaz de resumir o meu objetivo em começar a escrevê-lo. Enquanto eu escrevia, me lembrei algo que rascunhei no primeiro semestre do ano passado. 

Sempre escrevi muito, mas nunca em forma de poema, e das poucas coisas que eu escrevi, nunca fui de divulgar. Mas, o poema que inspirou esse nome diz muito sobre mim, e sobre o que quero fazer aqui. Achei o nome uma ótima escolha, três palavras que juntas, dizem muito sobre mim.

Sempre vivi cercada por elas, sempre gostei muito de ler, escrever, conversar.  Não a toa, escolhi duas profissões que dependem delas: sou intérprete de LIBRAS-Português (sinais e palavras aí colocadas no mesmo lugar de tentar colocar pra fora algo que está dentro), e uma quase Psicóloga, outra profissão que precisa das palavras para existir. 

Essa ideia de ser feita por palavras, surgiu a partir de duas fontes de inspiração:
- Donna Haraway, referência do feminismo contemporâneo, em um dos seus mais importantes textos, se pergunta: "Com o sangue de quem foram feitos meus olhos". Frase que pode ser interpretada de várias formas, e que me marcou desde a primeira vez que li.
 - Sandra Azerêdo, professora feminista que me apresentou Donna Haraway, que em suas aulas sobre o estruturalismo e o pós-estruturalismo cita alguém (não me lembro quem) que diz que "o 'discurso' corre em nossas veias". 

A partir dessas inspirações, em um dia difícil acabei escrevendo algo, e não imaginei que seria inspiração para o título do meu novo blog:




PALAVRAS

Palavras falam muito sobre mim, 
ou será que eu falo muito das palavras?!

Elas me ajudam a entender o mundo, 
ou será que o mundo me ajuda a as entender?!

E os meus sentimentos? 
Aparecem por causa das palavras, 
com as palavras, ou elas saem deles?

Meu corpo é constituído por elas?
Elas correm nas minhas veias, 
ou o meu sangue as formam?

Minha vida é feita pelas palavras,
 ou as minhas palavras são feitas de vida?                                      
                                       Da minha vida?!

Eu inspiro palavras?!
Expiro palavras?!

Quais são as palavras que consigo digerir, e quais vomito?

Eu falo, entendo, sinto, me constituo, 
SOU PALAVRAS. 
Apenas algumas delas, mas são sempre elas. 

E ainda assim eu não sou isso.
Não só isso!!!

Sou mais. 
Um mais que não tem palavras, 
mas um mais que se coloca com intensidade. 
Intensidade suficiente para até me fazer duvidar dessas palavras
que eu sou
que sou eu. 

O início do "Palavras que sou"



Depois de três anos da minha primeira experiência como blogueira, resolvi que quero voltar a escrever um blog. O desejo veio nesse último fim de ano, junto a desejos de fazer uma tatuagem, de escrever na parede do meu quarto, e de postar no meu facebook recém desativado. Antes fazer algumas dessas coisas, de forma precipitada, pensei que esse poderia ser um bom momento para eu voltar a escrever para postar em um blog meu.

Minha cabeça não para de funcionar, e como tudo na vida isso pode ser bom e ruim. Escrever aqui é a tentativa de fazer que essa agitação mental que tenho produza frutos potencialmente positivos para mim, e para quem quiser vir aqui ler o que tenho pensado e escrito.

Em 2010 escrevia um blog, o "Sobre as mulheres de Atenas". Foi uma experiência muito importante para a minha vida. Naquela época estava descobrindo o feminismo, e foi muito bom poder elaborar textos sobre os temas que dominavam meus pensamentos naquele momento. Espero que "Palavras que sou" passe a existir, como o "Mulheres de Atenas" existiu pra mim, um lugar onde posso elaborar meus pensamentos e sentimentos, desabafar, e escrever. Usar as palavras que me são tão caras.

O objetivo é que esse seja um lugar onde eu escreva sobre tudo e qualquer coisa, mesmo que seja sobre o nada. É impossível eu fugir de alguns assuntos (e definitivamente não quero fugir deles), já que eles me fundam como pessoa e como observadora desse mundo que está aí. Desigualdades de oportunidades e preconceitos me tiram do sério, e com certeza isso aparecerá por aqui, talvez em cada uma das linhas que eu escrever. Não apenas acredito que é possível haver um mundo melhor, como preciso acreditar e lutar por isso, para que eu consiga viver mais um dia, mais um mês e mais um ano.
Uso as palavras de John Lennon para terminar esse post introdutório -

“You may say I'm a dreamer
 But I'm not the only one
 I hope someday You'll join us
And the world will be as one”

(!!!)