Hoje é o dia da mulher. No meio social em que vivo, muitas pessoas se mobilizam para esse dia. Elas debatem o assunto, se organizam para ir às ruas, se revoltam e indignam com diversos fatos do cotidiano ligados ao tema.
Hoje é também o dia seguinte da votação para o presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara. Foi eleito um pastor que fez declarações “pouco amigáveis” sobre diversos grupos minoritários.
E hoje é também o dia seguinte do julgamento do famoso “Goleiro Bruno” um caso de violência contra a mulher que foi repetidamente exposto na mídia, já que terminou em um assassinato considerado bárbaro pela maioria das pessoas, feito pelas “mãos” de quem deveria entreter uma torcida de futebol. A grande mídia não fala, mas sabemos que esse é só um caso, e que o assassinato de mulheres, principalmente feito por companheiros ou ex-companheiros cresce a cada dia.
Diante de um dia tão importante, começo a refletir...
Primeiro me lembro de todas as vezes que alguém chegou perto de mim para falar que a luta das mulheres é algo ultrapassado, e que as mulheres já conseguiram tudo que precisavam...
Depois fico pensando nessas pessoas que conheço pessoalmente ou virtualmente que dedicam suas vidas para lutar por uma melhora na qualidade de vida das mulheres e outras “minorias”, e como a eleição desse senhor é um insulto ao trabalho de tanta gente. Fico pensando como mais uma vez fica parecendo que estão fazendo piada com um assunto sério, que é foco de dedicação de tanta gente séria, e que está diretamente ligado à vida de tantas pessoas.
E fico pensando sobre toda essa violência sofrida pelas mulheres. Principalmente as mulheres negras, pobres, as homossexuais, as prostitutas... infelizmente temos muitas categorias para colocar aqui, e cada vez a situação de violência fica mais extrema e mais grave.
São muitos os pensamentos, são muitas as angustias, são muitas as rasteiras... Mas estando em contato com essas pessoas sérias que trabalham todos os dias para essa situação melhorar, tenho aprendido que quem entra nessa luta não desiste fácil. Confesso que às vezes me impressiono com a garra dessas pessoas que no mesmo dia dessa eleição para a Comissão de Direitos Humanos se nega a ficar de luto, e se veste para a luta. Uma luta que às vezes me parece eterna, mas que me emociona quando leio a programação para o dia de hoje em Belo Horizonte. Tem muita gente nessa luta, e não há espaço para outras pessoas ditarem sobre o que precisamos lutar.
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