Hoje faço aniversário. Hoje, dia 02 de maio de 2016, completo 27 anos.
Há meses que quero escrever sobre a questão da idade, e nunca páro de fazer outras (tantas outras) coisas, para vir escrever. Farei isso hoje! - só pude terminar um dia depois -
Não foi apenas uma ou duas vezes que escutei as pessoas lamentarem a idade que têm. É comum ouvir as pessoas dizendo sobre como é ruim fazer aniversário, sobre como elas tem vergonha de ter mais de 30, 40, 50 anos. Algumas vezes até mesmo pessoas que estão fazendo pouco mais de 20 já reclamam da idade. Não foram apenas um ou dois textos que li na internet que falavam sobre "As insatisfeitas mulheres de 30 anos", "As frustrações das mulheres de 40", e outros textos que relacionavam alguma idade com algum sentimento ruim (percebo que a maioria desses textos falam de mulheres frustradas, e não realizadas e não sobre homens, o que me faz pensar sobre como até mesmo coisas que são universais - como envelhecer - são colocadas como mais dificeis para mulheres, e acabam se tornando mesmo. Para registrar: considero esses textos sem sentido sobre homens e mulheres, apenas fiz uma observação do que tenho visto por aí).
O feminismo apareceu na minha vida, e me libertou de muitas coisas que me incomodavam antes. Várias, como diversas insatisfações desnecessárias com meu corpo; várias caracteristicas da minha personalidade; vários pensamentos e comportamentos que eu reproduzia, que me traziam dificuldades ou sofrimentos, enfim... realmente foram libertações que tornaram a minha vida um pouco mais tranquila. O feminismo é, para mim, um caminho que trilho e sempre encontro mais uma libertação ali na frente. Às vezes são grandes, e me tiram de grandes sofirmentos, e outras são pequenas e do cotidiano, mas em conjunto acabam transformando minha vida em algo um pouco (ou muito) melhor.
Em meio a desconstruções de todos os tipos, essa isatisfação com a idade, que eu via de diversas formas vindo de diferentes pessoas, começou a saltar aos meus olhos. Algumas coisas a gente não tem como mudar - como a nossa idade - e tomei a decisão de que eu não iria sofrer ou me incomodar com alguma coisa que eu, definitivamente, não posso fazer nada para mudar. Se tem alguma coisa nessa vida que a gente tem, e não tem discussão, é a nossa idade. Podemos mentir, podemos fazer um documento falsificando a data de nascimento, podemos passar quilos de creme no rosto, milhares de cirurgias plásticas: a idade que a gente tem, é a idade que a gente tem, mesmo que a gente não aparente e mesmo que a gente não queira.
Eu compreendo que cada idade tem suas particularidades. Minha avó sempre comenta que a gente (eu e meus primos) não temos ideia de como, quando o corpo vai envelhecendo, aparecem dores que antes pareciam impossíveis, e sei que isso é um fato. A potência do corpo vai alterando com a idade sim, isso é outro fato. Há mais chances de termos determinadas doenças com determinadas idades, há mais chances de conseguirmos virar a noite e ir trabalhar com tranquilidade com determinadas idades, há mais chances de termos mais ou menos energia com determinadas idades, há mais chances de termos mais ou menos liberdade em determinados momentos da vida, há mais chances de a gente aprender com nossa própria experiência acumulada com determinadas idades (e aqui, não digo que necessariamente pessoas mais velhas são mais sábias, digo apenas que temos chances de aprender com nossa própria história de vida de diferentes formas, em diferentes momentos da vida). Mas invariavelmente há coisas boas e ruins em todas as idades.
Aprendi que com determinadas coisas, principalmente com aquelas que não podemos fazer nada, é melhor aceitar e sermos felizes com o que temos. Seguindo esse raciocínio, espero nunca sofrer pela idade que tenho. Reconheço que experiências mudam com o tempo, já posso reconhecer que minha vida mudou diversas vezes, em função da idade que tenho. Mas, isso é a vida. Viver é necessariamente ficar mais velho. Costumo dizer: "ou ficamos mais velhos, ou morremos". Não conheço outra alternativa, e por enquanto, tenho preferido ficar todo dia um pouco mais velha. As pessoas dizem que penso assim porque ainda sou jovem - e sei que sou jovem - mas estou aqui, atenta, para ver se estou apenas me iludindo, ainda em minha juventude. Muitas pessoas, mesmo bem mais novas do que eu já me demonstram que sofrem ao fazer aniversário, que estão desesperadas, porque "os 30 ou, ainda menos, os 20 anos estão chegando". Não estou dizendo que é fácil perder potencia, que é fácil passar a conviver com dores, com dificuldades. Mas, venho entendendo que negar as dificuldades não ajuda em nada, que talvez seja melhor aceitar, e encontrar formas de lidar, do que ficar negando, ficar tendo vergonha, ficar escondendo a idade que temos. O que posso fazer com a dor que sinto? Uma atividade física, melhorar alimentação? Aí estão as coisas que posso fazer. Mudar minha idade, é impossível, e não entendo porque eu deveria querer não ter a idade que tenho (isso pra mim, e para qualquer pessoa). A organização da nossa sociedade coloca a juventude em um lugar tão importante, tão maravilhoso, que considero que fazemos loucuras para continuarmos aparentando ser jovens. E, muitas vezes, de uma maneira que nos magoa, nos machuca e nos faz caminhar em direção contrária a tudo que somos verdadeiramente, até porque nada é perfeito, e a juventude tem tantos probemas quanto a vida adulta ou a velhice - problemas diferentes, mas todas as etapas da vida tem suas potencialidades positivas e negativas.
Outra reflexão que venho fazendo nos últimos meses, é como às vezes tendemos a ditar o tipo de relação que temos com as pessoas, com relação com a idade que elas tem. Todas as relações que eu tenho na minha vida: relações de trabalho, amorosas, familiares, de amizade... todas elas são de determinadas formas por infinitos motivos, e sei que a idade que eu tenho e a que as outras pessoas têm é um desses motivos. Mas, às vezes encontro pessoas que me parecem reduzir a relação que elas têm com outras, apenas no fator idade. É como se elas olhassem para pessoas com idades diferentes das que elas têm, e não fossem capazes de pensar nenhum tipo de relação diferente da que coloca a idade na frente de quaisquer outras caracteristicas, possibilidades, ou mesmo diferenças e limitações. Somos a idade que temos sim, mas somos muito mais do que isso.
Os textos que comentei anteriormente, costumam relacionar a insatisfação das "mulheres com 30 anos", ou 40, ou 50, com o fato de não terem alcançado determinados objetivos de vida. Falas como: "Ah, eu queria ter uma casa com essa idade, queria ter
filhos, queria ter um doutorado, queria ter me casado, queria ter viajado o mundo etc, etc,
etc" são comuns de se ouvir por aí. E, fico pensando que nem sempre esses são mesmo nossos sonhos... mas, mesmo quando são acho que a gente acaba por priorizar o que não conquistamos do que o que já conquistamos - aliás, o que mesmo é o conceito de conquista? O que será que estamos nos cobrando? Qual é essa vida perfeita de filme que achamos que vamos ter aos 30, aos 40 ou aos 50 anos?? Será que isso não é uma grande ilusão que compramos assim como compramos um refrigerante na padaria?
São muitas as reflexões que esse tema me trás. E, realmente penso muito sobre isso. Espero continuar conseguindo lidar com as transformações do meu corpo, da minha mente e do meu comportamento no mundo. Com as minhas mudanças de opiniões, de gostos, e das outras pessoas também. Espero continuar consguindo lidar com pessoas com idades muito diferentes da minha, sem colocar isso entre nós. Hoje, com 27 anos penso assim. E, espero que eu não sofra com a minha idade quando tiver 30, 45, ou 86 anos (sem saber até quando tempo ainda tenho aqui nessa Terra, coloquei números aleatórios, que podem ser possibilidades em minha vida, ou não).
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